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Aposentados 4/9/2020 9:27:33 » Por Livia Rospantini

PIB teve tombo recorde de 9,7% e a recessão econômica será forte


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Maurício Oliveira – Assessor econômico

 

A pandemia do coronavirus afetou de maneira perversa a economia brasileira. No segundo trimestre do ano o Produto Interno Bruto (PIB) desabou 9,7%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com esse resultado, o país entrou oficialmente em recessão técnica, que é caracterizada por dois trimestres consecutivos de queda no nível de atividade econômica. No 1° trimestre o PIB já havia caído 2,5%, segundo números revisados do IBGE. É a pior recessão desde os anos 80 (portanto há cerca de 40 anos).

Em termos de setores econômicos, o setor industrial (transformação, construção civil e extrativa) caiu 12,3%; e o setor de serviços (que é o que mais emprega e que tem o maior peso no PIB, cerca de 70%) caiu 9,7%, principalmente a hospedagem, turismo, alimentação fora do domicílio, transporte, atividades artísticas, comércio em geral e serviços domésticos.

Além disso, o consumo das famílias teve uma queda de 12,5%, e só não foi maior porque o auxílio emergencial de R$ 600 e outros programas de amparo social conseguiram minimizar os impactos do coronavirus e socorreram cerca de 67 milhões de pessoas vulneráveis. Com relação aos investimentos, eles desabaram 15,4%, em meio à incerteza quanto ao futuro da economia. Alguns setores conseguiram se manter relativamente, tais como o agronegócio, alimentos, supermercados e artigos farmacêuticos. Vendas de eletrodomésticos e tecnologia da informação estão se recuperando lentamente.

O tombo do PIB no Brasil não é isolado. O mundo todo sofreu grandes quedas. O Brasil conseguiu, devido aos amparos sociais à população mais vulnerável, ter uma retração econômica menor do que em diversos países desenvolvidos da zona do euro, tais como França, Espanha e Reino Unido, e também em relação a outros países da América, tais como México, Colômbia, Chile e Peru. O desempenho do PIB do Brasil ficou em 22º num ranking de 48 países.

A expectativa dos especialistas e do mercado é que haja uma pequena recuperação econômica no terceiro trimestre (julho a setembro), com boa reação do comércio e indústria após a flexibilização social e a reabertura da economia. Entretanto, no quarto trimestre há muita incerteza, tendo em vista a redução do auxílio emergencial para R$ 300 reais e a conseqüente redução da liquidez na economia, bem como também o acirramento das discussões políticas sobre o orçamento de 2021 (perspectiva de pouco ou nenhum investimento) e o perigo do rompimento do teto de gastos. Em termos percentuais, a estimativa atual do mercado é de uma queda no PIB de 5,28% em 2020, o pior desempenho anual já registrado pelo IBGE.

A tendência do desemprego é continuar elevado, uma vez que muitos dos que deixaram de trabalhar ou de procurar emprego (ambos os casos já somam 40 milhões de pessoas) enfrentarão um mercado de trabalho encolhido e com baixa confiança dos empresários em voltar a investir. Segundo o IBGE, o país perdeu 8,9 milhões de postos de trabalho somente no segundo trimestre deste ano.

O ano de 2020 está perdido e o rombo das contas públicas deve gerar um déficit fiscal de R$ 800 bilhões até o final do ano. O desempenho da economia em 2021 está dependendo da captação de créditos por parte do empresariado, retomada dos investimentos estrangeiros, do futuro dos programas sociais, inclusive a discussão do “Programa Renda Brasil”, que pretende substituir e ampliar o número de beneficiários do “Programa Bolsa Família, e também está na dependência dos remanejamentos orçamentários para 2021 no que tange à retomada dos investimentos públicos em obras de infraestrutura que possam aumentar o nível de emprego e melhorar a cadeia produtiva do país.

As reformas administrativa, tributária e privatizações também estão na pauta, porém continuarão em ritmo muito lento nas discussões entre o governo e o Congresso Nacional. Há muita divergência técnica e ponderações políticas sobre os seus impactos nas eleições municipais de novembro.




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