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Aposentados 24/6/2020 15:3:36 » Por Livia Rospantini

Descontrole da pandemia e crise política aumentam incertezas na economia


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Maurício Oliveira – Assessor econômico

 

 

Enquanto em grande parte do mundo a pandemia do coronavirus dá mostras de desaceleração, aqui no Brasil as curvas de contágio e de óbitos continuam crescendo. Esse descontrole traz muita insegurança e medo do futuro. As conseqüências negativas ainda não foram devidamente mensuradas.

Além do avanço da crise sanitária, estabeleceu-se no país uma crise política que vem afetando as relações entre os três Poderes da República e tirando de foco o combate ao coronavirus, que continua sem nenhuma coordenação nacional e com sérios problemas de administração nos estados e municípios.

Diante desse quadro de duas crises (de saúde e da política) uma terceira crise, a econômica, vem galgando negativamente a patamares nunca vistos. Indústria, comércio e serviços (os três pilares de sustentação econômica) apresentam quedas recordes de desempenho e com indicativos de pioras até o fim do ano. O nível de confiança, empresarial e populacional, na retomada da economia vem caindo dia após dia.

A flexibilização do isolamento social e a reabertura econômica foram pressionadas pela necessidade de milhões de trabalhadores informais e milhares de micro e pequenas empresas endividadas de voltarem a operar no mercado. Questão de sobrevivência. Entretanto, o aumento dos casos de contágio e de óbitos por coronavirus estão levando os especialistas a concluírem que essas medidas de reabertura foram prematuras. É preciso que haja monitoramento diário.

As crises, sanitária e política, estão desencadeando um processo acelerado de fuga de investidores do país. E os gastos contra os impactos econômicos da disseminação do coronavirus estão levando a uma previsão muito elevada do déficit fiscal do governo (algumas estimativas já falam em um rombo de R$ 900 bilhões até o final do ano).

A crise política tem piorado nos últimos tempos e seus desdobramentos determinarão os rumos que a economia brasileira vai trilhar, ou seja, se haverá um projeto de retomada econômica com fôlego suficiente para combater uma grande recessão e capaz de gerar emprego, renda e consumo, e se haverá acordos políticos capazes de manter a governabilidade durante a pandemia e, principalmente, após a pandemia.

O cenário internacional é ainda pior para o Brasil. Os principais países desenvolvidos do mundo se articulam diplomaticamente no sentido de financiar conjuntamente o soerguimento de suas economias afetadas pela pandemia. Esse esforço, pelo visto até o momento, não vai incluir o Brasil como parceiro. A sua imagem está muito denegrida a nível mundial. Até mesmo os EUA, país mais afetado pela pandemia e nosso parceiro histórico, começam a desenhar saídas que visam unicamente a sua própria recuperação. Os investidores internacionais, bancos e instituições de socorro financeiro e de créditos priorizarão a Europa, a Ásia e os EUA em seus negócios.

Cabe às instituições brasileiras, principalmente os três poderes, preservar a democracia, priorizar e coordenar o combate ao coronavirus com novas medidas emergenciais, construir pontes de diálogo e negociar um projeto nacional de retomada do desenvolvimento econômico com base na inclusão social e com cobrança maior sobre a classe mais favorecida do país.

 

 




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