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Aposentados 22/5/2020 11:51:27 » Por Livia Rospantini

Brasil caminha para a pior crise econômica de sua história


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Por Maurício Oliveira - assessor econômico




A disseminação do coronavirus no país está longe de acabar. Ninguém consegue prever o pico de aceleração da curva de contágio e muito menos o retorno à vida normal da população. Enquanto o país tenta combater o avanço da crise sanitária, duas outras crises já se estabeleceram paralelamente: a crise econômica e a crise política.

O ano de 2019 terminou com um crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa era que a economia brasileira pudesse retomar o seu crescimento neste ano de 2020, ainda que de maneira lenta. A pandemia do coronavirus acabou com as esperanças e vislumbra-se a maior crise econômica da história do Brasil que poderá alcançar também o ano de 2021. O consumo, que sustentava essa leve recuperação, vai demorar muito a se recompor, devido, principalmente, à quebra de milhares de micro, pequenas e médias empresas, ao aumento do desemprego e à queda vertiginosa da renda do trabalhador comum.

A economia brasileira sempre necessitou de um bom desempenho do seu setor externo, do seu comércio internaciona. Mas o cenário lá fora é péssimo. Previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), apontam que a economia global sofrerá uma recessão com uma queda média dos PIBs em torno de 3,3%, a maior retração desde a crise mundial de 1929, enquanto no Brasil a queda do PIB será em torno de 5,3% ou pode atingir até 8,6%, a depender do tempo de manutenção do isolamento social. Relatório recente do Fórum Econômico Mundial aponta para uma recessão de longo prazo no mundo, com falências, paralisação industrial e altos índices de desemprego.

Aqui no Brasil, a taxa de desemprego pode alcançar 19%, representando cerca de 20 milhões de brasileiros sem trabalho algum até o final do ano, segundo estimativa da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A FGV espera também uma retração no setor de serviços de 4,4%, setor que responde por dois terços do PIB e dos empregos no país, e de 7,4% na indústria. Com relação à construção civil, setor mais intensivo em mão-de-obra, deve cair 11,4% com resultado dramático para o mercado de trabalho. Além disso, a desigualdade social e a distribuição de renda devem piorar, pois a população das periferias possui empregos vulneráveis que estão sendo eliminados nessa pandemia e a sua renda fixa desaparecida. Quem ainda não perdeu emprego teve salário e jornada reduzidos. Já são mais de 7 milhões de trabalhadores nessa conta, e mais 1,5 milhão atrás do seguro desemprego.

Além disso tudo, temos o ingrediente da instabilidade política, troca de Ministros, negociações com o centrão, brigas entre o executivo e o legislativo, e entre o Presidente da República e os governadores. Essa instabilidade afasta investidores nacionais e internacionais, e vem também afetando a taxa de câmbio, com a disparada do dólar e desvalorização do real em 30%. A instabilidade política pode prolongar a recessão econômica e dificultar acordos de retomada das atividades do país.

Os dados econômicos negativos divulgados até o momento se referem apenas ao primeiro trimestre de 2020 (até o mês de março). Ora, sabemos que o isolamento social teve início na primeira quinzena de março, ou seja, o verdadeiro impacto econômico da pandemia do coronavirus será efetivamente sentido nos resultados econômicos do segundo trimestre do ano (de abril a junho). Aí se verão os desastrosos números de queda, tanto nos índices econômicos quanto nos índices sociais do país.

Combinação de instabilidade política com catástrofe sanitária (o Brasil já é o terceiro país mais infectado do mundo) ameaça levar o nosso país para a pior crise econômica de sua história. Vislumbra-se um quadro muito difícil de reinserção do Brasil no cenário mundial, pois a retomada da nossa economia vai depender da retomada das principais economias do mundo. E a imagem do Brasil no combate à pandemia do coronavirus é muito ruim perante às nações do mundo. Isso vai dificultar o nosso comércio mundial e a nossa capacidade de atrair investimentos internacionais, que serão fundamentais para administrar e superar a crise.

Vai ser necessário um esforço único de toda a Federação para tirar o Brasil de sua crise interna, com democracia e inclusão social. E também uma nova diplomacia brasileira, cooperativa e pragmática, para negociar caminhos de superação a nível internacional. O horizonte é incerto. A pandemia continua e a prioridade é salvar vidas e descobrir medicamentos ou vacinas devidamente aprovados pela ciência e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 




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