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Aposentados 13/5/2020 15:1:48 » Por Livia Rospantini

CORONAVÍRUS: Idosos não devem ficar em desvantagem na disputa por leitos, afirma presidente da COBAP


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A pandemia do novo coronavírus escancarou diversas lacunas sociais no país, especialmente sobre a capacidade do sistema de saúde em atender uma demanda tão alta de pacientes em estado grave.

A desigualdade social, que impede que grande parte da população cumpra o distanciamento, junto à falta de consciência, que leva pessoas às ruas em plena pandemia, culminam com previsões catastróficas: não haverá leito  nos hospitais para atender todos os cidadãos acometidos pela Covid-19.

Diante desse cenário e em um apelo para conscientizar a população, diversos médicos da linha de frente de combate ao vírus vieram à público relatar sobre o desespero de precisar escolher quem terá a oportunidade de sobreviver. Nesse momento em que a crise cresce, é cada vez mais difícil atender todo mundo nas UTIs.

Para resolver o impasse, entidades médicas estão criando protocolos para que os profissionais sigam, sem quebrar a ética que exige que todos os pacientes independentemente da situação social, sejam tratados em condições de igualdade.

Estados como Rio de Janeiro e Pernambuco, cujas filas de espera por leito nas UTIs ultrapassam de 300 e 200 pessoas respectivamente, já estão adotando critérios técnicos para a escolha de quem vai primeiro para a UTI. Entre as medidas em estudo pela Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, divulgadas por diversos portais de notícias e pela Revista Exame no último dia 1º, está a desvantagem do idoso em relação ao jovem na disputa por leito.

De acordo com o protocolo técnico que ainda está em análise, e que visa tirar o peso de escolha dos médicos, um dos critérios de desempate é a idade do paciente, antes mesmo da ordem de solicitação da vaga.

Pessoas de até 60 anos terão prioridade aos leitos, e pessoas acima de 80 ficarão por último na disputa por um leito, a não ser que o paciente jovem apresente algum problema grave de saúde. “Estamos perdendo amigos todos os dias. Semana passada morreram seis. Mandamos uma carta para o governo do Rio incentivando as medidas de isolamento, pois somos o grupo de risco e a cada morte um lar se despedaça”, contou a presidente da Federação das Associações de Aposentados e Pensionistas do Estado do Rio de Janeiro – FAAPERJ, Yedda Gaspar.

Para o presidente da COBAP, Warley Martins, “há um momento de angústia e desespero entre os médicos, que devem ser reconhecidos e valorizados, mas ao optar por não salvar o idoso, as autoridades de saúde podem desencadear uma série de transtornos emocionais, passando a mensagem de que a vida dos idosos vale menos”.

“Não é um problema estritamente da saúde física, mas precisamos pensar urgentemente sobre a valorização do idoso na sociedade. Recentemente fomos surpreendidos com a perda do grande ator Flávio Mogliaccio, que não suportou a desvalorização na velhice. Outros tantos anônimos também não aguentam. Esse é um retrato social que necessita urgentemente de transformação. Os idosos não são descartáveis”, ressaltou Warley.

Se por um lado procedimentos técnicos são fundamentais, por outro lado há de se convir que direitos humanos e direito à vida, engloba todos os cidadãos, de todas as idades. Para o geriatra e gerontólogo Antonio Claudio Neves, “temos que ter critérios sim numa situação de calamidade, mas eles não devem se dar por uma questão de idade.  É preciso avaliar a situação clínica e a gravidade do caso. Podemos ter pessoas idosas clinicamente com mais chances de sobrevida que uma pessoa mais jovem”.

O médico catarinense dr Aníbal Dário, que atende pacientes idosos em Santa Catarina, avaliou que esse “é um tema muito difícil de lidar para o médico, ninguém gostaria que tivessem que tomar essa decisão. É uma situação de exceção, onde qualquer decisão é passível de um grande questionamento. Eu não gostaria de ter que vivenciar essa de tomada de decisão, que nem se trata do certo, mas do necessário”, desabafou.

A COBAP reforça que a responsabilidade pela saúde é de todo cidadão e que, ficando em casa, as pessoas salvarão não só as próprias vidas, mas a vida do próximo. “Defendemos que o idoso seja salvo, seja com leitos nas UTIs, seja com o cuidado da população cumprindo o distanciamento social. Está na hora de termos a consciência que cuidar da saúde é uma responsabilidade de todos nós”, ressalta Warley.

 

 

 




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1/7/2020 11:52:37
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