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Brasil 10/1/2012 17:7:20 » Por

Pobres aposentados

Artigo de Juremir Machado da Silva, do Correio do Povo


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Chegamos à inversão desconcertante: o problema dos aposentados é que eles estão vivendo cada vez mais. Isso quebra um país. Uau! Daí a necessidade de maltratá-los. O governo federal, por exemplo, tem sido cruel com os aposentados. Pelo segundo ano consecutivo, na bucha, os que ganham acima do Piso nacional não terão aumento real. Ficarão apenas com a reposição inflacionária. As aposentadorias vão encolhendo junto com a vida. Eu sou um amante à moda antiga e uma pessoa de valores anacrônicos. Mando flores para a amada e acho que o ciclo natural tem de ser mantido: os pais cuidam dos filhos e, mais tarde, os filhos cuidam dos pais. Já não é mais assim. Os pais cuidam dos filhos porque uma criança é vida e alegria. Os filhos não querem cuidar dos pais porque a velhice traz doenças. Depositam em clínicas. É moderno. Não julgo.

Confesso minha antiguidade. É uma maneira de dizer que, do meu ponto de vista, tratamos mal os que envelhecem. Quem se preocupa realmente com a situação dos aposentados no Brasil? Num sistema de solidariedade, temos de economizar para pagar o descanso de quem trabalhou a vida inteira. Aí saltam os tecnocratas e desandam a falar no "rombo" da Previdência. É a senha para defender o "que cada um cuide de si". Acontece que fomos convencidos pelos imbecis da modernidade que o essencial da vida é o produtivismo, que estamos no mundo para trabalhar metade do dia e melhorar as estatísticas oficiais e que o egoísmo é a melhor forma de organização social. Os imbecis da modernidade são aqueles caras engravatados, com gel no cabelo, que falam player, acreditam nas classificações de risco de cada país feitas por bancos americanos e fingem levar a sério as recomendações do FMI para países atolados como a Grécia.

Se os aposentados brasileiros não botarem o bloco na rua serão atropelados pelo governo do Partido dos Trabalhadores. Qual é o poder de pressão dos aposentados? Greve é que não é. Pelo jeito, salvo se for ilusão de ótica, o governo está fazendo redistribuição de renda, tirando de quem ganha um pouquinho acima e passando para quem ganha o mínimo. Não deixa de ser revolucionário, original e pertinente. Injusto seria tirar dos banqueiros, que andam apertados, sofrendo com as constantes reduções da taxa Selic. O capital financeiro já foi melhor remunerado neste país. Os chamados radicais andam querendo virar o Brasil de cabeça para baixo. Há quem defenda, por exemplo, que os governos parem de abrir mão de tributos em favor de multinacionais e paguem mais para professores. Só que aí entra em campo a chantagem dos fundamentalistas favorecidos. É o famoso coro do "então a gente não vem" ou "então a gente vai embora".

Se continuar assim, os aposentados que ganham acima do mínimo emplacarão quatro anos sem reajuste real, e Dilma poderá entrar para a história como a madrasta dos velhinhos ou a bruxa do Planalto. Sempre vale lembrar que aposentado vota. Só, em geral, não financia campanha. Se a expectativa média de vida continuar aumentando, tem aposentado brasileiro que acabará sem nada a receber.

Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br
 



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